quarta-feira, 4 de março de 2015

O papel do gestor de segurança

 
*David Fernandes da Silva, CPP

A atuação do crime organizado, seqüestros de empresários e executivos, invasões à mão armada, uso de explosivos, arrombamentos, fraudes e furtos
praticados por funcionários, além dos riscos do próprio negócio, fizeram muitas empresas a se preocupar em proteger também seu patrimônio, pois sofreram ou poderiam vir a sofrer algum prejuízo por qualquer ocorrência dessas ameaças. Para se prevenirem, perceberam que necessitavam das recomendações de um especialista em segurança empresarial ou até da contratação de um gestor de segurança, seja ele funcionário ou um consultor externo. Quando tem autonomia e apoio, esse gestor pode reduzir drasticamente os riscos, prejuízos e perdas existentes. Há casos em que o sucesso da gestão de segurança chega em até 90% de redução de riscos e prejuízos. Sendo assim, alguns empresários descobriram que essa eficácia garante seus lucros, evitando perdas, surgindo aí a demanda por esse tipo de profissional.
As principais atribuições de um gestor de segurança são: análise de riscos visando apresentar as principais ameaças à organização, seus impactos no
negócio, a probabilidade de ocorrência, os possíveis valores de perda máxima se o evento ocorrer, medidas preventivas e os valores de investimento. O gestor precisa deixar bem claro quanto será o prejuízo x o valor do investimento para demonstrar à diretoria que vale à pena investir em segurança. Além disso, elaborar a política e os planos de segurança (estratégico, tático e operacional) visando proteger à vida, o patrimônio e restaurar as atividades normais da empresa. Também faz parte de suas responsabilidades elaborar orçamentos de segurança, visando apresentar as melhores soluções (custos x benefícios) do mercado. O gestor é quem deve analisar os fornecedores, seus produtos e serviços e passar para o setor de compras somente fechar a negociação com o fornecedor selecionado. Dependendo do porte e da cultura da empresa, a função do gestor de segurança é, em alguns casos, atribuída a um gerente de TI, RH ou Financeiro. Dessa forma, pelo acúmulo de atividades e falta de conhecimentos especializados, torna-se limitada, ou seja, está simplesmente mais voltada para compra de equipamentos e administrar serviços de segurança.
O ideal é que o gestor de segurança atue, de forma estratégica e com visão holística, em todas as áreas e operações da empresa como apoio (staff) e deve
reportar-se direto ao Vice-Presidente ou assessorar o Presidente. Alguns exemplos: junto com o RH, estabelecendo critérios de contratação e seleção de
novos candidatos, análise e verificação do histórico escolar e dos últimos empregos, participar de determinada entrevista para análise do perfil e comportamento e na conscientização da política de segurança para novos funcionários; na Logística, gerenciamento de riscos no recebimento de mercadorias e no transporte para determinada região; com TI, englobando processos e pessoas, proteção de segredo comercial, classificação das informações e quem deve ter acesso a elas; com Jurídico, visando contratos específicos para redução de riscos internos e externos; com o Presidente e alta direção da empresa, analisando os riscos do caminho de ida e volta da residência para o trabalho e das vulnerabilidades da residência e dos familiares
para elaborar um plano de segurança pessoal; com Engenharia, na construção de uma nova sede, realizando o diagnóstico de segurança da região, vizinhança, localização, lay-out, acessos, materiais de construção e planejar os recursos humanos, tecnológicos e procedimentos necessários para uma segurança adequada.
Além de trabalhar no ramo empresarial, o gestor de segurança pode atuar de forma mais específica em segurança pessoal, segurança em logística, prevenção de perdas no varejo, sendo um funcionário de uma organização ou até um consultor externo.
O mercado dessa área de atuação tem dado preferência para pessoas pró-ativas e dinâmica, pois essa função trabalha-se com a prevenção e não se esperar acontecer. Quem trabalha com segurança tem que estar preparado para diversas situações que podem ocorrer no dia-a-dia, tais como um assalto ou uma emergência.
É importante conquistar alguma certificação em segurança para comprovar seus conhecimentos. Hoje há duas certificações nacionais: CES – Certificado de Especialista em Segurança pela ABSO (Associação Brasileira de Segurança Orgânica), que exige três anos de experiência em segurança empresarial e 2º grau completo, e a ASE – Analista de Segurança Empresarial pela ABSEG (Associação Brasileira dos Profissionais de Segurança). Nesta última há exigência da formação em curso superior. Se for em qualquer área, exige mais 6 anos de experiência no ramo de segurança ou 4 anos se tiver exercido cargos de chefia ou gerência de segurança; o profissional, que trabalha como
gestor de segurança, precisará de apenas 2 anos na função, se possuir um curso de pós-graduação/MBA em segurança para prestar o exame. Entretanto, há outra certificação que agrega muito conhecimento e que é considerada um dos maiores títulos almejados pelos profissionais de segurança é o CPP – Certified Protection Professional, ou seja, Profissional de Proteção Certificado pela ASIS (American Society For Industry Security). Trata-sede uma certificação internacional existente há 25 anos, com apenas 12.000 no mundo, espalhados em 40 países. Além das certificações acima, é bom fazer cursos específicos na área de segurança, tais como: investigações, fraudes, inteligência competitiva, segurança pessoal, sistemas de segurança eletrônica, técnicas de contraespionagem, prevenção de incêndios, etc. Também deve-se agregar cursos de: inglês (muito exigido hoje), liderança, gestão de projetos, pessoas entre outros.
David Fernandes da Silva, CPP. Professor universitário na UNIP.




Como o gestor de segurançaz pode gerar lucro para a empresa ?

         Os desafios empresariais estão cada vez maiores, pois as exigências do mercado e o desempenho dos concorrentes estão crescendo rapidamente. Para fazer frente a esta realidade, as empresas necessitam superar continuamente os seus patamares de atuação. Esta superação não é conseguida com a rotina do dia a dia, é necessário alcançar níveis superiores. Estes níveis, segundo Falconi, são alcançados com o gerenciamento pelas diretrizes.
O gerenciamento pelas diretrizes busca atingir as metas que não podem ser alcançadas com a rotina do dia a dia e está voltado para solucionar os problemas prioritários da empresa. Nesta busca, percebemos a importância do gerenciamento dos riscos e da gestão das perdas, pois o alcance das metas passa pela melhoria dos processos.
Quando falamos em gerenciar pelas diretrizes estamos falando de gerenciar utilizando o ciclo PDCA. Na fase P (planejar) são estabelecidas as diretrizes (metas + medidas) para todos os níveis gerenciais e os respectivos planos de ação. Na fase D (executar) são executadas as medidas necessárias para se alcançar as metas, tendo como referência os planos de ação. No terceiro momento, fase C, é realizada a verificação dos resultados e do grau de avanço das medidas. Na última fase (A), fazemos uma análise da diferença entre as metas e os resultados alcançados, determinamos as causas deste desvio (gap) e estabelecemos recomendações das medidas corretivas (contramedidas).     
Existem alguns conceitos importantes para o gerenciamento pelas diretrizes, o primeiro é o conceito de meta. A meta é composta de três partes: objetivo gerencial, valor e prazo. Um exemplo simples seria: reduzir os furtos em 10% até o final do ano. O objetivo gerencial é reduzir os furtos. O valor é 10% e o prazo é até o final do ano. Além de deixar claro o conceito de meta, este exemplo mostra como o sistema de segurança pode potencializar o sucesso empresarial, neste caso buscando minimizar uma fonte de perda.
O segundo conceito é o de diretriz. Diretriz é o somatório da meta e as medidas necessárias para alcança-la. Podemos perceber que as medidas são estabelecidas sobre os meios e a meta sobre os fins.
Podem existir dois tipos de medida: desdobrável e não desdobrável. O primeiro tipo será executado no nível operacional ou por outros processos. A medida não desdobrável será executada pelo próprio responsável pela diretriz e é transformada em ação.
          O terceiro conceito importante é o de problema. Segundo Falconi, problema é um resultado indesejável de um processo. É uma meta não alcançada. O não alcance da meta pode ter sido gerado por diversos fatores presentes nos processos da empresa. A busca destes fatores é atividade fim do sistema de segurança e terá como base a gestão de riscos e a gestão de perdas.  
O quarto conceito é o de planejamento. Planejar significa estabelecer um plano, ou seja, um conjunto de medidas para atingir a meta. As fases básicas são: conhecer a meta, analisar o fenômeno, analisar o processo e estabelecer o plano. O plano de ação pode ser apresentado com a técnica 5W 2H (what, who, when, where, why, how e how much). Podemos também usar 5W 1H. Neste caso o H de how much (quanto custa) é trabalhado em separado.
Para que o sistema de segurança contribua para o sucesso empresarial a gestão deste sistema tem que está alinhada com as metas estratégicas da empresa, logo o gestor do sistema de segurança terá que gerir com base em diretrizes.
As diretrizes do gestor da segurança serão desdobramentos das diretrizes estratégicas. O sistema preventivo e contingencial de segurança serão desenvolvidos para dar suporte ao alcance das metas desenvolvidas pela alta administração, ou seja, a gestão do sistema de segurança não é uma coisa a parte, mas sim integrada ao negócio da empresa.
O sistema de segurança, por ser atividade meio, tem que dá suporte à atividade fim da empresa. O gerenciamento dos riscos é essencial neste processo, pois terá como resultado: a compreensão dos riscos e das suas causas geradoras; a identificação da probabilidade e impacto de cada risco e a definição do tratamento de cada risco. Este gerenciamento é a base para a gestão das perdas.
Além do foco de gestão e para poder atuar de forma eficiente e eficaz outro ponto importante para o gestor é a sua formação acadêmica, ou seja, as ações deste profissional têm que ter base científica.
Os desafios do gestor de segurança estão cada vez maiores, mas este profissional não deve ter medo desta realidade, pois o século XXI abriu as portas para que este profissional pudesse mostrar como a área de segurança pode potencializar o sucesso das empresas.
Para que o gestor possa solidificar a sua importância e ter sucesso profissional é essencial que alguns pontos sejam observados, pois deve estar preparado para enfrentar os novos desafios de um mundo em constante mudança. Estes pontos são:

  • Perceber que as mudanças na sua vida profissional são inevitáveis, pois o ambiente de tarefa das empresas está mudando rapidamente. Essa mudança será a cada dia mais rápida. Podemos perceber que a velocidade na tomada de decisão é muito importante.
  • Perceber a importância das informações para a tomada de decisão. 
  • Desenvolver suas competências (conhecimentos, habilidades e comportamentos) continuamente.
  • Administrar muito bem o tempo, pois o tempo é vantagem competitiva. 
As empresas serão cada vez mais testadas pelo mercado. Elas sobreviverão se estiverem focadas no mercado e percebendo oportunidades nas ameaças. Por conseqüência, os gestores do sistema de segurança serão cada vez mais cobrados e pressionados por metas. Os desafios são grandes, mas possíveis de serem alcançados.

Sucesso!!!!!

Nino Ricardo Meireles - consultor e professor universitário   

Segurança Empresarial

Segurança Empresarial

* Antonio Celso Brasiliano

1. CONCEITO

“É um conjunto de medidas, capazes de gerar um estado, no qual os interesses vitais de uma empresa estejam livres de interferências e perturbações”.

2. CONJUNTO DE MEDIDAS

A segurança empresarial não depende apenas do departamento de segurança da empresa, mas envolve todos os seus setores e todo o seu pessoal.
A empresa deve desfrutar de um “estado de segurança”, ou seja, de uma segurança permanente; embora, é claro passe por situações de insegurança temporária, fatos ocasionais e passageiros.

3. INTERESSES VITAIS

Os interesses vitais de uma empresa não estão apenas em não ser roubada ou incendiada. O mercado, os segredos, a estratégia de marketing, pesquisas de novos produtos devem igualmente ser protegidos.

4. INTERFERÊNCIAS E PERTURBAÇÕES

Nada deve impedir o curso normal da empresa. Deve-se prevenir não apenas contra incêndios e assaltos, mas também contra espionagem, seqüestros de empresários, greves, sabotagem, chantagem, etc.

5. GRAU DE SEGURANÇA

Não existe segurança perfeita, total ou absoluta. O que existe é a segurança satisfatória.
A segurança é satisfatória quando:
- É capaz de retardar ao máximo uma possibilidade de agressão;
- É capaz de desencadear forças – no menor espaço de tempo possível – capazes de neutralizar a agressão verificada.

6. IMPORTÂNCIA DA SEGURANÇA EMPRESARIAL

As empresas não beneficiam apenas os seus proprietários, acionistas ou empregados que nelas trabalham diretamente. Empresas sadias e prósperas beneficiam toda uma região e um universo infindável de pessoas, entre outros, com os seguintes benefícios: geração de impostos, comercialização de matérias primas; incremento dos transportes; expansão das redes de telecomunicações e do sistema financeiro; disputa de mão de obra qualificada; crescimento da construção civil; construção de escolas e hospitais; fortalecimento do comércio do comércio e da agricultura.
A obra de Fayol:
Henri Fayol, criador da Teoria Clássica da Administração, em sua obra “Administração Industrial e Geral”, publicada pela primeira vez no ano de 1916, em Paris, enumerou seis funções “essenciais” dentro de uma empresa:
1) Funções Técnicas
2) Funções Comerciais
3) Funções Financeiras
4) Funções de Segurança
5) Funções Contábeis
6) Funções Administrativas
Infelizmente, grandes empresas têm negligenciado o item “Segurança” em seus organogramas.

7. SEGURANÇA EMPRESARIAL NO BRASIL

- Infelizmente ainda prevalece a improvisação;
- Geralmente o chefe de segurança também é o responsável por serviços como transporte, limpeza e manutenção;
- Formação do pessoal de segurança é sempre deficitária, prevalecendo o “quebra-galho”.

8. MELHORANDO O NÍVEL DE SEGURANÇA DAS EMPRESAS

Através de um Plano Integrado de Segurança, com a decisão da alta direção da empresa, específico para a empresa, da seguinte forma:
- Processamento:
a) análise de vulnerabilidades
b) Implantação
- Rígida obediência ao Plano Elaborado e permanente atualização (gerenciamento).

9. PRINCÍPIOS BÁSICOS DA SEGURANÇA EMPRESARIAL:

a) Segurança é prevenção. Prevenção é treinamento;
b) O investimento em segurança é proporcional ao risco que se corre;
c) As medidas de Segurança não devem impedir ou dificultar a atividade normal da empresa.

10. ITENS A SEREM OBSERVADOS NUM PLANEJAMENTO DE SEGURANÇA EMPRESARIAL

- Administração da Segurança
– Proteção Perimetral
– Serviços de Vigilância
– Controle Interno
– Prevenção e Combate a Incêndios
– Espionagem
– Proteção contra furtos
– Prevenção de Assaltos
– Segurança dos computadores
– Possível Ação Terrorista
– Sistema de identificação
– Greves e Paralisações
– Iluminação
– Abastecimento de energia elétrica
– Combustíveis e materiais perigosos
- Segurança Pessoal
– Segurança familiar e Residencial
– Eventos Especiais
– Pontos e questões críticas.

 *Antonio Celso Ribeiro Brasileiro é Diretor Executivo da Brasiliano & Associados
Fonte: http://www.brasiliano.com.br/



segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Extorsão mediante sequestro

INDÚSTRIA DA EXTORSÃO MEDIANTE SEQÜESTRO
Siderley Andrade de Lima
O seqüestro é um dos crimes que mais assusta a população, surgiu com grande força principalmente na década de 80. Com a prisão de alguns integrantes de movimentos revolucionários ( guerrilha), que faziam parte de grupos de esquerda e na época seqüestraram um embaixador americano e um cônsul japonês, pedindo em troca a libertação de presos políticos. Os dois casos que na década de 70 eram crimes “políticos” , serviram de exemplo bem sucedido para que o crime de extorsão mediante seqüestro no país começasse a ser mercenário, ou seja, com fins lucrativos.
A prisão de guerrilheiros juntamente com criminosos comuns nos presídios do RJ, influenciaram para que as técnicas, estratégias e planejamento fossem repassadas aos presos comuns, após esse “intercambio”, surgia uma das maiores facções criminosas o CV- Comando Vermelho e também nascia um dos maiores crimes , o seqüestro, que iria aterrorizar e assustar a população.
As técnicas começaram a serem empregadas em seqüestros que tinham como alvo pessoas com grande poder aquisitivo e altos executivos. O Brasil começou a ser palco de grandes seqüestro, podemos citar os seguintes casos :
Beltrano Martinez – vice-presidente do Bradesco – 07/11/86, saindo de sua residência , foi seqüestrado ficando 41 dias no cativeiro, foi pago 4 milhões de dólares ;
Luis Salles – publicitário – 31/07/89 saindo de sua residência, foi seqüestrado ficando 65 dias no cativeiro, foi libertado com o pagamento de $2,5 milhões dólares ;
Abílio Diniz, empresário- 11/12/89, saindo de sua residência, 06 dias desaparecido, seu cativeiro foi encontrado, após negociação com os criminosos foi libertado e toda quadrilha foi presa;
Roberto Medina, publicitário- 06/06/90, saindo de sua empresa, 16 dias no cativeiro, foi pago 2,5 milhões de dólares aos criminosos.
No passado o seqüestro escolhia como alvo grandes personalidades, como empresários, publicitários, celebridades, etc. As quadrilhas eram bem organizadas, tudo era planejado, os familiares com medo não avisavam a policia, com isso, o resgate era pago. Com o passar dos anos os altos executivos e grandes celebridades começaram a fazer uso de agentes de segurança pessoal, levando os criminosos a buscarem outro alvo. Hoje o crime de extorsão mediante seqüestro cresceu assustadoramente , na atualidade todo cidadão pode ser vítima de um seqüestro, os criminosos que antes exigiam grandes quantias, diminuíram o valor do resgate, e toda pessoa passou a ser alvo , pequenos comerciantes, pequenos empresários, parentes de personalidades, políticos, etc, houve uma banalização do crime .

O crime de extorsão mediante seqüestro está previsto no art. 159 CP tipificado da seguinte forma “ seqüestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem como condição ou preço de resgate”. E também é considerado crime Hediondo, ou seja, o criminoso irá cumprir a pena no seu total sem direito a anistia, graça ou indulto, a pena será cumprida integralmente em regime fechado.
No Brasil a totalidade dos casos, as quadrilhas sempre visam obter vantagem monetária ( recursos financeiros), ou seja, não existe grupos políticos ou terroristas que atualmente realizam este tipo de crime por motivos políticos , religiosos ou ideológicos. Em números o país só perde para a Colômbia e o México em casos de seqüestro, mas a cidade de São Paulo já foi considerada a capital do seqüestro “ New York Times”.
O seqüestro profissional planejado por quadrilhas especializadas é bem diferente de um seqüestro-relâmpago . Os delinqüentes ao agirem são frios, calculistas, planejam a ação, em muitos casos estudam detalhes de suas vítimas. Os seqüestradores podem ser de vários segmentos da sociedade, em alguns casos o crime tem envolvimento de algum parente ou pessoa ( empregado) próxima a vítima, que repassa as informações do cotidiano do alvo escolhido.

O seqüestro profissional ou planejado necessita de toda uma logística, organização e inteligência. Os criminosos têm quadrilhas bem organizadas e subdivide da seguinte maneira chefe da negociação, equipe da espionagem (informações), equipe da captura, equipe do cativeiro. Os criminosos são tão organizados que parece até uma indústria, sendo que cada um tem sua função. Outra maneira descoberta pela policia é a terceirização do crime, que funciona da seguinte forma; Os criminosos contratam o serviço de outro para capturar a vítima, e também para vigiar a vítima no cativeiro. Já houve casos de existir cativeiro coletivo como, por exemplo. “Três jovens são libertados de cativeiro coletivo- Durante os dias em que foram mantidos reféns, os três jovens passavam o tempo todo deitados em uma cama de casal, em um quarto escuro, amarrados pelas mãos e pelos pés, e com os rostos cobertos, sempre observados de perto por pelo menos dois homens – Jornal Agora 24/02/06 “.
A organização dos marginais é de assustar, é por isso que nós profissionais de segurança devemos estar a cada dia conhecendo o modus operandi de como agem os criminosos. E estar preparado quando acontecer algo com nosso cliente ( segurado).
A orientação que devemos passar ao protegido em também a toda equipe de segurança pessoal é para bloquear as fases de um seqüestro planejado. As fases vão desde as informações preliminares, analise das informações, escolha do alvo, levantamento dos dados da rotina, o planejamento e por fim a execução.
Na maioria dos casos, com exceção dos criminosos amadores que escolhem suas vitima aleatoriamente, os criminosos profissionais sempre seguem o mesmo modus operandi no decorrer do crime; levantam informações sobre a vítima, a escolha do cativeiro, o negociador, etc.
Por exigir toda essa complexidade, o seqüestro é uma “ guerra psicológica” , os criminosos usam vários artifícios para pressionar os familiares, um dos mais cruéis é a mutilação de parte do corpo da vítima, um exemplo que é de conhecimento de muitos é o caso do Welington Camargo, irmão da dupla sertaneja Zezé de Camargo e Luciano, que foi seqüestrado no dia 16 de dezembro de 1998, no qual durante as negociações foi cortado um pedaço da orelha e enviando a família. No livro “ Quem tem medo do seqüestro – J. B Markuz define bem sobre este crime O seqüestro é um tipo de guerra como as outras, em que a cultura é de pouca valia, pois o que predomina para se chegar a uma vitória são as idéias e pensamentos organizados, das quais a colaboração das partes envolvidas é muito importante.
Nessa guerra já conhecemos um lado que é o dos criminosos, vamos conhecer agora um pouco dos seqüestrados. Na totalidade das vitimas 70% são homens, a maioria deles tem idade entre 20 a 35 anos, em geral são apanhados enquanto dirigiam o próprio carro no trajeto entre a casa o trabalho, são empresários ou dependentes de empresários que prosperam com negócios ligados ao comercio em geral, 90% das vitimas pertencem a classe media.
A rotina no cotidiano do suposto alvo é um dos fatores principais observados pelos criminosos, dando condições para o delinqüente planejar seus ataques acertadamente. Freqüentar os mesmos lugares como bares e restaurantes, outras atividades como o mesmo local, itinerários, horário de ida a trabalho e retorno.
“A dica é sair da rotina e evitar ser rotineiro em tudo que puder”, utilizar itinerários alternativos e diversificado, sair de casa e chegar em horários diferentes, ir ao trabalho e sair em horários variados. Esse é um dos primeiros passos a informar para nossos clientes, alem destas dicas veja mais algumas dicas para o segurado e a equipe responsável pela segurança :

- Mude a sua rotina freqüentemente , horário de saída e chegada em casa e no trabalho, use no mínimo três caminhos diferentes para ir e voltar do trabalho, procure fazer itinerários variados;
- Use cada dia um local diferente para estacionamento;
- Procure sempre dirigir com os vidros do automóvel fechados e as portas travadas;
- Usar insulfilm nos vidros ajuda, pois, o marginal não sabe quantas pessoas estão no carro;
- Se você possuir mais de um carro, procure alternar em dias diferentes sua saída , cada dia você sai com um deles;
- Se possui condições financeiras, utilize um veiculo com blindagem;
- Um curso de direção defensiva, evasiva, e ofensiva, pode te ajudar numa tentativa de seqüestro;
- Evite comentar informações sobre sua rotina e seus negócios, tais informações devem ser restritas;
- Tenha uma relação de empregados e ex-empregados domésticos e de sua empresa, com todos os dados; Nunca de informações pessoais via telefone se suspeitar de quem está solicitando, oriente os familiares e funcionários para fazer o mesmo; Realizar um treinamento com o segurado e também seus familiares é fundamental, caso ocorra um sinistro ele também deve saber o que fazer. Participando do treinamento ele também irá conhecer um pouco do serviço que está contratando.
Destacamos que um dos problemas aqui no Brasil é referente a subestimar os criminosos, muitos executivos não possui nenhum tipo de segurança, muito menos procedimentos de segurança preventiva. Existe um “bloqueio psicológico no qual acham que nunca vai acontecer nada. Muitos só mudam o pensamento após algum fato como roubo/seqüestro acontece com algum familiar o mesmo. A prevenção sempre deve prevalecer, pois é a modalidade mais importante e eficaz no combate ao crime; deve ser executada com precisão e seriedade para diminuir ou colocar fora de risco a integridade física da autoridade. 24h por dia deve haver prevenção, em momento algum pode existir negligenciamento na segurança. Em situações que você achar que não há perigo de ser atacado, redobre as prevenções, assim não será surpreendido. Resumindo a missão da seg. Pessoal é executar medidas capazes de prevenir assaltos, atentados, emboscadas e seqüestros, zelar pela integridade física, proporcionar a tranquilidade necessária e manter a ordem nos locais imediatos onde estejam os segurados/protegidos. Lembre-se: “A conscientização dos riscos de ser alvo de seqüestro é fundamental, aliado a procedimentos seguros tornar-se fator importante para dificultar a ação dos criminosos.

Siderley Andrade de Lima, Consultor de segurança pessoal
siderleyandrade@yahoo.com.br
Autorizado a reproduzaçao citando a fonte

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Segurança pública e o avanço da criminalidade


Segurança pública

 

1.    Introdução
 

Entra governo sai governo e é sempre a mesma história, época de eleições e vários candidatos com propostas para a segurança pública. Enquanto isso a criminalidade cresce, mas então de quem é a culpa?  Não queremos achar o culpado, e sim quem possa mostrar as soluções, mas quem irá apresentar a solução?

            Como base no texto a seguir,  apresento alguns dos problemas relacionados com a segurança pública, o texto foi publicado há oito anos, o interessante é que parece tal atual, tirem suas conclusões.

 

"  O congresso diz que os Governadores precisam exercer sua autoridade para fazer as polícias Militar e Civil trabalharem em parceria. Governadores dizem que a criminalidade cairá se os grandes bandidos forem isolados em prisões mantidas pelo governo Federal. O governo federal diz que não pode administrar prisões porque o congresso não aprova lei nesse sentido. O congresso Nacional diz que o governo Federal não mobiliza sua bancada para tratar do assunto. O governo federal afirma que a responsabilidade maior é dos Governadores,  pois são eles que têm a policia. Os governadores dizem que a policia deles prende, mas a Justiça solta. A Justiça alega que cumpre a lei . O Congresso diz que as leis não atrapalham tanto, o que faz a Justiça lenta é a má administração e a improdutividade. A Justiça diz que não é lenta, o que falta é contratar mais juízes. O governo Federal diz que a Justiça tem funcionários demais e alega que boa parte do seu tempo é gasta refazendo  o trabalho da policia. " Revista Veja, em 30 de janeiro de 2002.

 

O crime tem sido uma doença que acompanha o crescimento nas cidades e se relaciona diretamente com a situação econômica de cada cidadão. Atualmente, os crimes contra a vida e patrimônio tem crescido assustadoramente, é difícil encontrar alguma pessoa que não foi vítima da criminalidade.
 

Partindo  da situação atual é preciso ter consciência de que a violência existe e devemos estar preparado para combatê-la. A segurança é necessária à própria pessoa, família, residência e aos bens patrimoniais.
 

É muito importante saber como agir em situações perigosas e também mais importante ainda é aprender a prevenir de tais situações. Quando comentamos estar preparados para combatê-las não é para reagir a um roubo ou então começar a andar armado. A intenção é de despertar nas pessoas procedimentos preventivos.

 
Procure ter em mente que a violência urbana é uma realidade presente em sua vida 24 horas,   os criminosos estão procurando vítimas potencias todo instante,  24horas por dia pensando em como ganhar dinheiro, como abordar sua vítima, , crimes acontecem a toda hora e estão aí diariamente sendo notícia nas páginas dos jornais e também na televisão, não podemos esquecer que a prevenção é importante e essencial, em outras palavras a prevenção é tão simples quanto necessária.

 

2.    Organização criminosa

 
 As organizações criminosas no Brasil cada dia se tornam mais presentes no nosso dia a dia, não podemos fechar os olhos, o problema é real, as quadrilhas estão cada vez mais especializadas, podemos ver isso no contrabando, o tráfico de drogas, o roubo de cargas, o tráfico de armas, assaltos a bancos, o tráfico e exploração de crianças e mulheres, os jogos ilegais, o furto e receptação de veículos,etc. Os crimes variam de acordo com a necessidade e objetivos.


Infelizmente uma das características que serve de ingrediente nas estruturas criminosas é a corrupção, seja ela através do judiciário ( venda de sentenças), corrupção de policias, patrocínios de campanhas políticas. O crime organizado possui conexões e ligações social, econômica e política, desta forma realização a lavagem de dinheiro tornando suas praticas mais difíceis de combatê-las.


Sabemos que a avanço da criminalidade são os vazios deixados pelo Estado, as facções criminosas prosperam e avançam devido as brechas abertas pela corrupção e pela desproteção policial. Enquanto as policias Civis, Militares e atualmente as Guardas Civis estiverem atuando separadas gerando “rivalidades”, enquanto tivermos políticos interessados somente no seu bem estar e uma sociedade civil achando que não faz parte do problema, o crime se une e torna-se organizado ficando mais fácil sua atuação.

 

3.    Guarda Civil Municipal : Essencial nos municípios 

 

O trabalho desenvolvido pelas Guardas Municipais merece destaque, é sem dúvida uma força auxiliar para manter a segurança de cada cidadão,  as Guardas Municipais de hoje vem desenvolvendo suas atividades de acordo com as necessidades de cada Município, sempre com o objetivo primordial de bem atender aos anseios da sociedade local que consequentemente faz parte do contexto estadual e nacional.

Vários municípios já possuem suas Guardas Municipais, podemos afirmar que isso não é uma medida para ganhar votos, a criação da GCMs também não visa competir com outras instituições no que diz respeito a Segurança Pública. Porém não podemos fechar os olhos para o brilhante  trabalho desenvolvido pelos guardas municipais. A necessidade da população é constante, quando o cidadão precisa de ajuda ele não quer saber se a cor do uniforme é cinza, azul, preto, etc, ele quer sim uma ajuda imediata. Ajuda que muitas vezes é oferecida pelo município através de políticas públicas voltadas a questão da segurança pública.

 Dentro da segurança pública,  temos uma atividade que se destaca algumas vezes positivamente pela sua atuação e na maioria das vezes todos os problemas relacionados com os índices de crimes são apontados como de sua responsabilidade. A atividade policial seja ela exercida pelas policias civis, militares e pelas GCMs é vista na maioria das vezes como um mal necessário, é criticada por muitos e reconhecida por poucos, o erro é duramente criticado, os acertos muitas vezes não são lembrados. Anda lado a lado com o êxito e o fracasso.

 
    3.1  Retrato da segurança pública

 
Recentemente foi realizada uma pesquisa CNI-Ibope - que ouviu 2.002 pessoas em 141 municípios entre os dias 28 e 31 de julho/2011. A pesquisa  foi apresentada no mês de outubro e fez  um diagnóstico da percepção da população sobre várias questões da segurança pública e sobre temas como pena de morte, redução da maioridade penal, qualidade das instituições, entre outros.

Dentro da segurança pública,  não podemos deixar de falar do foco principal que é o trabalho na atividade policial , na pesquisa A maioria da população brasileira condena a segurança pública: exatos 51% considera a situação da segurança pública "ruim" ou "péssima.

            Algo que chama a atenção é  que as Forças Armadas e a Polícia Federal são as instituições melhor avaliadas pela população, com conceitos de "ótima" e "boa" para 63% (Forças Armadas) e 60% (PF). Em terceiro lugar é apontado as Guardas Civis, é um avanço significativo e sinal de que os municípios estão fazendo a lição investindo nas guardas municipais.

          Independente da pesquisa, não podemos esquecer que a sociedade está adoecida, devido ao crescimento da violência, sendo que,  os problemas da criminalidade  reúne diversos fatores como: psicológicos, sociais, econômicos, políticos e culturais, desestruturação familiar, educação, etc.  A segurança publica é como um remédio, um remédio forte  que muita das vezes se não for aplicado de forma correta pode causar efeitos colaterais, o trabalho policial não faz parte do problema na segurança pública  e sim parte da solução.

 
No combate a violência, depositamos todos os problemas na atividade policial, rara as vezes que houve uma intervenção de suas origens, capaz de desenvolver um trabalho visando o desenvolvimento de uma cidade que melhore condições de segurança para a população.


Em uma sociedade adoecida, devido ao crescimento da violência, no qual os problemas da criminalidade  reúne diversos fatores sendo eles: psicológicos, sociais, econômicos, políticos e culturais,  a atividade policial é como um remédio, um remédio forte  que muita das vezes se não for aplicado de forma correta pode causar efeitos colaterais, o trabalho policial não faz parte do problema na segurança pública  e sim parte da solução.

 
* Siderley Andrade de Lima, GCM de Jandira, exerceu a função de Supervisor responsável pela coordenação de cursos e treinamentos, ex-subcomandante. É consultor de segurança patrimonial, graduado do curso de Gestão em segurança privada pela Universidade Paulista, Diplomado em Política e Estratégia pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, idealizador do blog sobre segurança http://gestorsegurancaempresarial.blogspot.com/; Colunista do site de segurança www.dicaseg.com; Membro da ABSEG- Associação Brasileira de Profissionais de Segurança, autor dos livros Manual Básico do Instrutor de Armamento e Tiro e Sobrevivência Policial no Confronto Armado.

Evolução da consultoria em segurança


          O inicio da segurança privada no Brasil teve como marco na legislação  na década de 80, no qual foi publicada a Lei 7.102/83 /. “Dispõe sobre a segurança para os bancos, normas para constituição e funcionamento das empresas de segurança privada”. Com o decorrer dos anos a segurança no país vem evoluindo.

        Com o passar dos anos, entre os serviços existentes na segurança privada encontramos a atividade de consultoria que surgiu com maior ênfase no final da década de 90, até então não existia nenhum curso de formação superior em segurança, os profissionais que existiam em sua grande maioria oriundos das forças armadas ou policia militar. Em muitas empresas o responsável pela segurança era o departamento de RH ou qualquer outra pessoa.

      O cenário nesta época contribuiu para iniciar uma verdadeira corrida e muitos aventureiros entraram no mercado sem ter conhecimentos básicos sobre administração, planejamento estratégico,  implantação de projetos     , etc. Como não existia nenhuma legislação para regulamentar a profissão e também não existia nenhum curso, apareceram muitos pse-profissionais de segurança se apresentando como consultor, com a metodologia do “achismo”, não possuíam conhecimentos técnicos.

     Segundo Nino Meirelles (2009) não podemos esquecer que a maioria dos gestores de segurança empresarial são egressos das Forças Armadas e das forças policiais. Profissionais que, por vários motivos, ingressaram na vida corporativa trazendo consigo as experiências adquiridas nas suas atividades de origem. Experiências importantes, mas que muitas vezes não condizem com a realidade empresarial. O profº Nino ainda afirma que

 

“......faltava uma adaptação do conhecimento adquirido ao meio corporativo. Tal problema fazia com que as medidas de segurança propostas interferissem demasiadamente na produtividade das organizações, ou seja, os gestores não percebiam a empresa como um sistema, nem que a segurança empresarial existe para ajudar no processo corporativo. Assim, ficou claro que os profissionais precisavam de uma formação ampla em gestão, não apenas um curso de extensão ou técnico, mas sim um curso de nível superior e/ou pós-graduação.”

 

      Com as mudanças econômicas, tecnológicas e mudanças constantes nas organizações, no inicio de 2000 começaram a surgir os primeiros cursos de gestão em segurança empresarial, criando assim um perfil do profissional gestor/consultor de segurança empresarial.

      A nova realidade da segurança tem seu foco de atuação no desenvolvimento dos trabalhos voltados ao planejamento estratégico que tem como objetivo identificar os tipos de risco ou ameaças, a probabilidade dessas ameaças se tornarem eventos de perdas empresariais e também o efeito nos ativos ou no empreendimento caso a perda venha acontecer. Esse planejamento em segurança aliado aos recursos humanos, recursos tecnológicos, barreiras físicas, procedimentos organizacionais, sistemas integrados e também a análise de riscos irá proporcionar conforto e qualidade de vida ás pessoas, através da eliminação ou redução dos riscos conforme seja economicamente viável e tecnicamente possível de ser realizado visando à continuidade dos negócios na empresa.  A Segurança Empresarial adstrita ao ambiente de segurança das instalações está passando por diversas transformações devido ao avanço estratégico do crime e constante mudanças no contexto econômico.

Dentro do mercado de segurança privada no Brasil, muitos profissionais procuram cada vez atuarem como consultor de segurança, procuram ser independentes, querem ter autonomia, na segurança empresarial existe um nicho de oportunidades, entre elas está a consultoria.

         A consultoria de segurança é uma análise geral realizada pelo consultor, a partir da estrutura organizacional da empresa estudada, a fim de otimizar seus processos e modelos de gestão, quando necessário.

Entre os serviços de um consultor pode implantar ou oferecer aos seus cliente é a política de segurança que engloba todos os procedimentos adotados pela empresa, o planejamento, as atividades, as normas e as atribuições. Antes de implantar a política, é necessário realizara varias tarefas, entre os procedimentos está a pesquisa de segurança, que tem como objetivo e propósito de :

- Determinar o atual estado da segurança;

- Determinar vulnerabilidades dos recursos corporativos existentes a atividades criminais externas;

- Diagnosticar os pontos fortes, pontos fracos, localizar as fraquezas;

- Determinar condições atuais de segurança física;

- Produzir recomendações que estabeleçam um programa de segurança atual;

- Realizar a analise de riscos;

- implantar projetos de segurança.

O consultor deve ter perfil empreendedor e compromisso com qualidade do trabalho visando ser um profissional de sucesso e reconhecido, outros requisitos como a busca constante por conhecimentos, aperfeiçoamento e qualificação. Ter liderança, autonomia, criatividade, iniciativa, capacidade de análise são algumas das qualidades de um consultor atualmente.

  

* Siderley Andrade de Lima: Consultor de segurança patrimonial, graduado do curso de Gestão em segurança privada pela Universidade Paulista, Diplomado em Política e Estratégia pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, idealizador do blog sobre segurança http://gestorsegurancaempresarial.blogspot.com/; Colunista do site de segurança www.dicaseg.com; Membro da ABSEG- Associação Brasileira de Profissionais de Segurança, autor dos livros:  “Manual Básico do Instrutor de Armamento  Tiro”, “ Sobrevivência Policial no Confronto Armado e “ Manual de Segurança Preventiva “.

Inteligência de Ameaças

 por aureomiraglia 
Muitas áreas das empresas tem utilizado o termo “inteligência” para diversas aplicações distintas, e nem sempre trazem o mesmo consenso sobre o que estão fazendo de fato. Todos estão tentando melhorar os resultados dos negócios através da melhoria de processos e do entendimento de novas e melhores práticas, muitas vezes evoluindo e conseguindo apoio da empresa neste caminho. Na área de segurança, talvez uma das maiores conquistas tenha sido a integração de seus recursos em sistemas, mas não podemos menosprezar os métodos mais convencionais apesar das falhas individuais que costumam acontecer, pois são vitais para as operações diárias de segurança. E sendo assim, sempre buscaremos a máxima eficácia dos recursos disponíveis. Neste sentido, o conhecimento de certos dados que tem impacto imediato na defesa e reação da segurança é fundamental nestas ações, que são conhecidas como “inteligência” quando atendem estas necessidades em tempo real. Mas atenção, não podemos confundir estas ações de segurança com “aquisição de inteligência”, que ocorre em tempo real por órgãos de inteligência com grandes recursos tecnológicos. Na verdade o aumento da eficácia dos sistemas, que sabemos ser quase sempre sobrecarregados, ocorre pela correta identificação das ameaças e o entendimento de suas consequências. A esta necessidade chamamos de Inteligência de Ameaças, que são conhecimentos e ações específicas para tornarem mais seguros os dispositivos empregados na proteção dos ativos da empresa. As equipes de segurança são preparadas para proteger a empresa em certo grau, tendo em mente ações comuns de criminosos, mesmo que estes criminosos não tenham nada de comum, mas desconhecendo completamente a profundidade de danos se certas ameaças se concretizarem contra o negócio em questão. Fica muito difícil exigir do pessoal envolvido na segurança a correta atuação em quaisquer circunstâncias se suas avaliações de perigo obrigatoriamente são realizadas de forma superficial e/ou subjetiva por falta de informação concreta. Todas as medidas de controles automatizados ou não, visam gerar este tipo de conhecimento, mas infelizmente, na maioria dos casos não ocorre em tempo real ou geram o nível de criticidade correto na avaliação de danos, pois também por sua vez, não entendem o evento final pela cascata de crises que podem gerar. Costumo indicar “Matriz de Apoio à Decisão” para melhorar a assertividade na tomada de decisões e diminuir ao máximo os erros por “achismos” e empurra-empurra de quem quer que seja. Contudo, não é possível prevermos todas as possibilidades e variações nestas matrizes, o que nos induz ao preparo dos envolvidos nas operações de segurança e do alinhamento destes com o pessoal de apoio. Quando uma avaliação de riscos é realizada em uma empresa, muitas ameaças são detectadas e algumas soluções são apontadas, exigindo tempo, dedicação e recursos financeiros para que sejam implantadas. Contudo, independentemente dos prazos serem adequados ou muito longos para as implantações, quase sempre as estratégias que delinearam as soluções escolhidas acabam sendo atingidas por erros de posturas administrativas, que terminam por enfraquecer todo o sistema de segurança em razão de suas distorções. Se há posturas corretas, um amadurecimento favorável do sistema como um todo ocorrerá, gerando conhecimento e preparo para que a Inteligência de Ameaças tome forma. A inteligência adquirida deverá ser transferida para ações reais, que pode ser usada tanto para lançar uma estratégica preventiva ou preparar uma ação defensiva. Isto se dá pela coleta e análise de dados referentes às ocorrências de seguranças, falhas de sistemas de controle, erros operacionais repetitivos, conhecimento de ameaças diretas e indiretas no ambiente interno e externo, acompanhamento do clima moral interno, identificação de fragilidades e conexões negativas oriundas da situação como um todo. A proximidade entre as lideranças do negócio e o gestor de segurança empresarial torna a Inteligência de Ameaças possível e atuante de forma realística, oferecendo uma ferramenta confiável de gestão de risco e diminuição de perdas. A Inteligência de Ameaças não pode ser contaminada e enfraquecida pelo descrédito que possa ocorrer pelos céticos quando uma ameaça é concretizada em qualquer nível que seja. Ao contrário, deve servir de aprendizado e fortalecer o propósito de melhoria constante.
 
Fonte:http://aureomiraglia.wordpress.com/